Morreu o escritor Alexander Soljenítsin (1918-2008), este escritor foi o autor entre outras obras de "Um Dia na vida de Ivan Denisovich"(1962) e "Arquipálago Gulag" (1973-1978) que denunciou os campos de concentração na antiga União Soviética de Estaline para presos políticos e dissidentes. Contabilizaram-se cerca de 56 milhões de mortos do regime soviético nestes campos, realmente isto dá muito que pensar e incita à leitura. Mas na verdade, a vida tem muitas contradições, é incrivel como é que um autor daquele calibre, prémio Nobel, tal qual foi capaz de denunciar o regime soviético de Estaline, deu apoio à política de Vladimir Putin e ao seu regime belicista, a vida dá mesmo muitas voltas.

A Guerra está aí, cheira a pólvora, A Rússia e a
Geórgia querem ter no seu território a Ossétia do Sul, esta República tem cerca de 70.000 habitantes, é apoiada por Moscovo e independente desde a queda da URSS em 1991. É provável que o conflito alastre a outros países e zonas da região. A Geórgia tem 4.4 milhões de habitantes enquanto a Rússia tem 152 milhões de habitantes e 17.075.200 Km
2. O que pode levar o pequeno David a enfrentar este Golias? Talvez as costas quentes, ter alguns países importantes a apoiar e lá no fundo ser um testa de ferro.
Até agora, a Geórgia para já abateu dois aviões russos, os russos sofreram 18 mortos e 52 feridos. Os impactes até agora são mais de 2000 mortos civis, afundaram um lança misséis georgiano, alguns desalojados, a capital Tbilissi à beira da destruição. A Geórgia já deu tréguas, mas isso parece não ser suficiente para o regime bélico russo parar a máquina de guerra.
A O.N.U. continua sem meios de acabar com este tipo de agressões e invasões imperialistas com consequências humanitárias trágicas, é lamentável como em situações extremas uma organização deste calibre tenha mais fama do que proveito e se revele totalmente incapaz para a resolução destas questões. Também a União Europeia marcou uma reunião para discutir a situação vivida na Ossétia do Sul, vamos ver a (in)capacidade para fazer parte de uma solução, para já tentam negociar um documento que interesse a ambas as partes, tarefa muito difícil.
Depois dos E.U.A. terem invadido unilateralmente, ao arrepio das leis internacionais, sem mandato da O.N.U. o Iraque com as consequências catastróficas que sabemos, depois de conjuntamente com a Europa apoiarem a independência do Kosovo, pergunto qual a ética e a moral para condenar aquelas práticas militares, é caso para dizer "assim prega Frei Tomás, faz como ele diz, não faças como ele faz".
A questão estratégica dos E.U.A. tem a ver com duas coisas: por um lado, conseguir mais aliados nas repúblicas fronteiras com a Rússia, por outro tentar isolar os russos no plano das negociações internacionais. Qualquer dia quem sabe, os EUA têm um sistema de mísseis em redor de toda a Rússia, para já a República Checa, Polónia, Turquia entre outros vão ajudando a fazer a festa americana no leste europeu.
Ontem foi bonito de ver nos Jogos Olímpicos atletas da Rússia e da Geórgia abraçarem-se e dar um sinal de paz para o Mundo. Mas como já vimos, os Jogos Olímpicos de Pequim 2008 tudo fazem para tentar passar a imagem de um mundo perfeito e harmonioso mesmo que saibamos não ser essa a realidade cá fora.
Em síntese, E.U.A. e Rússia não são para mim o bom nem o mau da fita, nem vice-versa, são tão só dois impérios em decadência, habituados a meter medo de alto do seu pedestral internacional e a obter o respeitinho de todo o outro mundo através do uso da sua força militar. A verdade é que o mapa geopolítico internacional está a sofrer mutações e temos de nos preparar para a ascensão de outros grandes impérios como a China e outros países asiáticos, é uma questão de tempo, resta saber quando e isso também não é tranquilizador.