Azáfama; grande atividade; agitação; rebuliço.

06
Jul 08

À alguns dias, a Dr.ª Ferreira Leite dizia numa entrevista à TVI no programa "Cartas na Mesa" que o mais importante neste momento não é investir em obras públicas mas sim em tomar medidas de carácter social. Estas medidas não passam apenas pelos subsídios, mas essencialmente com apoio a instituições sem fins lucrativos da Sociedade Civil. Muitos exemplos de boas práticas existem na Sociedade Civil, estou a lembrar-me por exemplo do Banco Alimentar Contra a Fome; a CAIS; Abraço; Ajuda de Berço; entre outras muito reconhecidas pelos cidadãos e com um trabalho meritório e cheio de bons resultados.

O Governo P.S. viu no Complemento Solidário para Idosos (C.S.I.) o melhor instrumento para lutar contra a pobreza porquê? Vejamos algumas explicações: evitar o "desperdício" que existem nos intermediários; evitar processos de burocracia e perda de tempo; estreitar a ligação directa entre os cidadãos e o Estado. Mas hoje está comprovado que a pobreza não é só entre os idosos como comprova o recente estudo “Um Olhar sobre a Pobreza” do Professor Bruto da Costa. Como sabemos não basta produzir mais riqueza para haver menos pobreza, porque se esta não for equitativamente redistribuída e existir grandes desigualdades de rendimentos podem acontecer situações de pobreza gritante.

O Estado não previu que fosse crescer tanto a pobreza como está actualmente a acontecer, também não calculou o aparecimento de novos pobres, por exemplo, famílias monoparentais, imigrantes, trabalhadores com baixos salários e sobretudo famílias sobreendividadas, são estes os novos pobres. 
As recentes propostas do Eng.º Sócrates de apoio às prestações do crédito bancário para aquisição de casa, através da benefícios fiscais através da baixa do I.R.S. para as famílias com menores rendimentos fazem sentido e podem ser uma bolha de oxigénio para famílias à beira do colapso, assim como limitar o Imposto Municipal sobre Imóveis (I.M.I.) são medidas positivas mas insuficientes.
Recuemos no tempo e lembremo-nos por exemplo, em 2000, a classe média estava mais forte, as taxas de juro estavam muito baixas, as famílias tinham poder de compra e viviam melhor. Oito anos depois, percebemos que tudo mais não era senão virtual, hoje vivemos com 130% de endividamento, não aumentam as exportações, o crescimento do país é muito pouco e ainda por cima há uma crise internacional profunda que teve o seu início com o subprime americano. 
Há aqui inequivocamente um problema, o Banco Central Europeu (B.C.E.) coordena as políticas monetárias de todos os países, as decisões importantes estão centralizadas, o eurocentrismo económico está no B.C.E. A vida das pessoas está muito dependente do Sr. Trinchet que não olha às diferenças entre o Alemão e Finlandês com o Português ou Polaco. Os Estados nacionais acabam por não ter uma palavra a dizer e sente-se um mau estar entre os cidadãos e governantes, visível por exemplo nos recentes Referendos europeus na França, na Holanda e agora na Irlanda. Claro que não sou daquelas pessoas que defendem que devemos voltar a usar como moeda o escudo ou que a causa de todos os problemas está em Bruxelas, mas na minha opinião, os Estados nacionais deveriam ser consultados para saber se as taxas de juro sobem ou descem, se a Euribor deve ser maior ou menor, qual é impacto que estas medidas têm na vida dos seus cidadãos. Porque estas decisões têm resultados imediatos a curto, médio e longo prazo na vida das pessoas e porque a história dos Povos também passa em grande medida pela Economia.
publicado por polvorosa às 22:45

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