Azáfama; grande atividade; agitação; rebuliço.

04
Jul 08

Portugal sempre foi e é um país de Emigração. Desde décadas que os portugueses emigram para outros países em busca de melhor qualidade de vida através de melhores empregos, melhores serviços públicos e melhores governos. Os países que cedo se habituaram a receber os portugueses foram sobretudo: o Canadá, o Brasil, Venezuela no continente americano e França, Luxemburgo, Suíça, Alemanha, Espanha e Inglaterra no continente europeu. Em muitos casos, a mão-de-obra portuguesa tinha baixas qualificações e acabava a desempenhar trabalhos que a população nacional desses países não tinha muito interesse.

Actualmente, o cenário é outro, assistimos a muitos jovens portugueses qualificados a ser obrigados a emigrar por várias razões, não encontram trabalho mesmo depois de quase 20 anos a estudar; os salários são muito baixos; o custo de vida em Portugal é muito elevado; as empresas têm debilidade estrutural visível na dificuldade em inovar, em desenvolver estratégias de marketing e comercialização, em se adaptar às novas tecnologias e informatização dos sistemas, na internacionalização. A maior parte das empresas portuguesas são pequenas e micro-empresas. Com excepção de alguns exemplos de boas práticas, muitas delas têm encontrado obstáculos difíceis como é o caso de uma administração pública demasiado burocrática, um sistema fiscal exigente, uma legislação laboral rígida e uma mão de obra assente em baixas qualificações.  
Outro problema na sociedade portuguesa intimamente relacionado com a emigração de jovens e dificuldade destes em integrar-se no mercado de emprego prende-se com a escola portuguesa. Com efeito, esta não está adaptada às necessidades das empresas e da indústria, ou seja, temos um país de doutores, isto é, culturalmente é bem visto os jovens entrarem nas Universidades, mas é inegável que as profissões mais técnicas não têm pessoal qualificado para progredir ao nível da produtividade e competitividade tão necessária para o desenvolvimento do país.
A verdade é esta, milhares de jovens portugueses a trabalhar e consequentemente a desenvolver outros países não é necessariamente mau, aliás, para esses jovens é a única forma para mostrar o seu valor, integrarem-se social e profissionalmente e demonstrar que os portugueses podem ser os melhores do mundo em certas áreas, mas a interrogação que aqui deixo é: e se fossem criadas oportunidades para estes jovens trabalharem em Portugal não seria uma mais valia para a valorização do nosso tecido empresarial? Por um lado, bem sei que existe o Programa InovJovem, ficaram a trabalhar 4416 estagiários, mas seria interessante saber qual o tipo de contrato laboral feito com estes jovens. 
Por outro lado, o InovContacto, programa que consiste sobretudo em estágios internacionais, teve 25.504 candidatos e apenas 1552 foram seleccionados, a taxa de recrutamento é de 6,09%. Metade destes jovens ficam no estrangeiro, a outra metade regressa a Portugal. Considero importante existir portugueses espalhados pelo mundo e colocados em lugares estratégicos para poder haver pontes com o nosso país. O segredo do crescimento económico da Irlanda esteve essencialmente em três aspectos, a saber: o domínio da língua inglesa; o investimento e a aposta no educação e qualificação dos irlandeses e o facto de existirem milhões de irlandeses espalhados pelo mundo em especial nos E.U.A. No fundo, desde à 500 anos com os Descobrimentos, iniciamos a internacionalização, nos tempos actuais de Globalização, estes novos desafios carecem de novas respostas.
publicado por polvorosa às 17:49
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