Azáfama; grande atividade; agitação; rebuliço.

02
Abr 09

"Alguns comentários à entrevista com o Senhor Presidente da Câmara publicada no Diário do Sul.

1-Contrariamente ao que diz estes dezasseis anos foram caracterizados por uma política centralizadora, onde tudo o que não passasse pelo crivo do Presidente da Câmara foi liminarmente rejeitado e na qual qualquer opinião dissonante do seu diapasão foi tomada como oposição.

2-Apoios ao associativismo com o visível objectivo de ampliação das redes clientelares. Atribuição de subsídios sem critérios, onde por exemplo, a colectividade com mais prestígio e trabalho no concelho (a Sociedade União Alcaçovense), é praticamente tratada da mesma forma que uma qualquer colectividade ou associação, sem actividade.

3-Dizer que nos últimos dezasseis anos se mudou quase tudo é só por si uma afirmação de uma enorme arrogância. Passa um atestado de estupidez aos munícipes que de ano para ano vêm as vilas a degradarem-se, as empresas a fecharem e os empregos a desaparecerem.

4-Sabendo-se que nas últimas eleições praticamente impôs (ou impuseram), a sua reeleição, afirmar agora que está à disposição do Partido e que respeita as decisões dos Camaradas…  Ainda por cima com essa e outras atitudes provocaram clivagens, afastaram-se Camaradas e desperdiçou-se o “timing” ideal para fazer a mudança.

5-Foram necessários 16 anos para anunciar projectos estruturantes, projectos esses que de acordo com a habitual prática deste elenco autárquico, nunca foram apresentados ou discutidos com a população.

6-Quando foi altura disso não nos candidatámos aos programas apropriados, andaram entretidos a fazer sei lá o quê. Poderíamos com os dinheiros de Bruxelas ter boa parte das infra-estruturas dos centros históricos recuperadas. Agora preparam-se para anunciar grandes obras nestas áreas, depois de terem afirmado que não valia a pena recuperar os arruamentos porque isso seria só cosmética. Com que dinheiros é que vão fazer isso, porque é que demoraram tanto tempo?

7-Discordando e criticando as estratégias traçadas a nível nacional para temas como Sines, Alqueva,  IC 33, ou o”corredor azul”  percebe-se nas entrelinhas claramente o seu afastamento dos grupos de decisão. Não creio que seja só por questões de perspectivas políticas, já que outras Câmaras da mesma cor política têm conseguido encaixar-se, negociar e obter contrapartidas. Sendo que nenhum milagre alterará a nossa posição geográfica, dispensa-se o discurso da desculpabilização, pois que só nos interessa o das soluções.

8-Depois de reconhecer que na realidade não tem esperanças na criação de “projectos estruturantes de grande dimensão” para o concelho (por culpa dos outros claro), passa a descrever algumas das actividades económicas do Concelho. Fala de uns, esquece-se de outros. Não fala entre outros do enorme problema que por falta de tacto criou com os lotes das zonas industriais, problema esse que se arrasta há anos. Ou daquele caso em por causa de uns ódios de estimação inviabilizou a instalação na zona industrial de uma pequena indústria que iria criar uma série de novos postos de trabalho, enfim fala do que lhe dá jeito, compreende-se!

9-Praticamente ignorando Aguiar, referindo-se só a uns melhoramentos numa escola, ao crescimento demográfico e pouco mais, assenta as baterias em Alcáçovas, local onde ele bem sabe que o seu futuro político se decidirá. Tem o cuidado de dar garantias, que com ele será sempre tudo geometricamente dividido, independentemente da oportunidade e racionalidade dos investimentos. Como é época de caça fica sempre bem falar do Palácio, depois das eleições nunca mais volta a tocar no assunto. Este foi mais um dossier que ele e a sua equipa foram incapazes de gerir nestes dezasseis anos.

10-Termina dando a sua opinião sobre a regionalização. Bom, tem a ideia dele, eu pessoalmente, até que me convençam do contrário, sou contra. Não me parece que Lisboa esteja assim tão longe, dez milhões de habitantes não enchem uma cidade europeia e as diferenças culturais são mínimas. É preciso sim pôr a funcionar ou melhorar as estruturas existentes, que o peso do aparelho público já é mais que suficiente para que ainda o tenhamos de continuar a engordar.

Resumindo, este artigo espelha a meu ver um homem cansado da rotina de dezasseis anos, divorciado dos centros de decisões, vazio de ideias, com um discurso vago e impreciso, mas mesmo assim teimosamente agarrado ao poder."


Leonardo Parvo

publicado por polvorosa às 09:27
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Fazer de uma empresa de transformação de pimentão a excelência de I&D do concelho é assumir claramente que a estratégia de atracção de investimento falhou, isto se é que havia claramente uma estratégia.
(sem tirar o mérito a esta empresa, é importante sem dúvida alguma apostar nos nossos recursos endógenos e criando postos de trabalho femininos melhor ainda)

É claramente uma Câmara sem rumo, sem ideias, sem estratégia em nenhuma área.

Mais parece a casa fantasma!!!
E o burro sou eu a 2 de Abril de 2009 às 10:08

"Bem diz o presidente Estêvão, que connosco almoçou estar o concelho a dar "saltos qualitativos em muitas áreas. Também na restauração naturalmente."

Sinais inquestionáveis destes "saltos qualitativos" são os encerramentos em Viana, do S. Luís (Senhor Bernardino), da Fonte Figueira e do Olá Viana. Nesta vila particularmente bem tratada, onde a nossa Autarquia com a sua “Dinâmica do Progresso” tem tão afincadamente promovido o turismo, não há lugar a estabelecimentos sem qualidade. Acho bem!
Anónimo a 2 de Abril de 2009 às 13:14

Apesar de estar na Câmara uma pessoa que é licenciada em Turismo, essa dinâmica de progresso não foi implementada. Turistas passam por Viana e não sabem o que existe para ver.
Prefere fazer festas.... aconselho-a a tirar o Mestrado em Animação de Festas e Eventos, porque nessa área move-se bem e até tem bastantes conhecimentos e amigos....
Os restaurantes e bares têm que fechar porque os srs importantes da terra só visitam esses locais em tempos de eleições, pois não se misturam com o povo, turismo não há para gastar dinheiro e sem dinheiro os donos não podem pagar os impostos, portanto fecham "o estaminé"
Não há " Dinâmica de Progresso" nem " Todo o Sol do Alentejo"
O Povo tem o que escolheu e se não abrir a pestana vai ter mais do mesmo.....
Anónimo a 2 de Abril de 2009 às 21:43

......Sabendo-se que nas últimas eleições praticamente impôs (ou impuseram), a sua reeleição, afirmar agora que está à disposição do Partido e que respeita as decisões dos Camaradas… Ainda por cima com essa e outras atitudes provocaram clivagens, afastaram-se Camaradas e desperdiçou-se o “timing” ideal para fazer a mudança.......
O poder a fome e a sede de mandar, é mais forte que certas pessoas.

Anónimo a 2 de Abril de 2009 às 20:27

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