Azáfama; grande atividade; agitação; rebuliço.

10
Nov 08

 

 

 

A manifestação de professores do sábado passado em Lisboa levanta uma série de questões. 

 

O Ministério de Educação não pode ignorar o facto de terem estado 120.000 pessoas em manifestação, independentemente de saber se lá estava outra malta para além de professores ou até familiares, os manifestantes representam sem dúvida a classe docente e têm por isso toda a legitimidade. Há pois um enorme mal-estar entre os docentes que não pode ser ignorado pelos governantes. 

A questão da avaliação de desempenho dos docentes foi a gota de água, os professores já estavam aborrecidos com o conjunto de reformas que envolve entre outros pontos: a divisão da carreira em professores e titulares, muitos sentiram-se prejudicados, o estatuto do aluno vai dar mais trabalho, o ensino especial traz desafios complexos e agora até o "magalhães" acarreta papelada.

Os professores não deixam de ter razão em não querer este tipo de avaliação, não se sentem competentes para isso, não estão à vontade a avaliar entre pares e não está previsto tais funções no estatuto da carreira docente. Sendo assim, acho que é muito importante levar esta questão mais além do que do plano político porque neste momento os alunos estão a ficar prejudicados com estes enredos.

Em relação aos agentes responsáveis não há de um lado os bons e do outro os maus, o Ministério errou porque trouxe o Modelo de Avaliação do topo para a base, ou seja, da 5 de Outubro para os Agrupamentos de Escola mais recônditos deste país. A Plataforma de Sindicatos liderada pela Fenprof errou porque assinou um acordo e agora rompeu-o sem hesitar.   

 

Todas a partes estão de acordo quanto à necessidade e importância de avaliação, isso é um bom ponto de partida para a negociação. Não julgo que a resuloção deste imbróglio esteja na demissão da Ministra, em 23 anos tivemos 12 ministros diferentes, desde Deus Pinheiro, Manuela Ferreira Leite até Maria Lurdes Rodrigues, em média dá cerca de dois anos cada um, como é possível implmentar qualquer reforma neste formato? 

No meu entendimento, a solução para resolver este problema acho que deveria passar pelas partes se sentarem à mesma mesa e discutirem um modelo de avaliação menos burocrata, mais eficiente (objectivos e resultados) e eficaz (custo e benefício).

Convergir num mediador externo para acompanhar as negociação, por exemplo, alguém com provas dadas no campo educativo, Roberto Carneiro, Marçal Grilo, ou até o Professor Arsélio (Professor do Ano), etc. Assim, a questão deixaria de ser política, concentrar-se-ia no essencial e ambas as partes ainda vão a tempo de fazer algo positivo pela Educação em Portugal.    

publicado por polvorosa às 16:13

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