Azáfama; grande atividade; agitação; rebuliço.

04
Mai 10

Cada vez as decisões estão mais centralizadas em Lisboa, o vertical substitui o horizontal. O urbano tende a banalizar o rural. Há uma elite urbana e elitista ignorante do meio rural a prejudicar o desenvolvimento integral do país.   
 
O Sr. Presidente da República tornou-se mais calculista, ficou provado pela ERC que aquela coisa das escutas ao Palácio de Belém não passou de uma farsa inventada pelo assessor de Cavaco. A racionalidade instrumental dá-lhe para olhar para a economia numa perspectiva académica. Há uma certa dificuldade histórica em compreender as pessoas e os territórios, mantém-se fiel às suas origens partidárias e caminha alegremente para a reeleição em Janeiro 2010 porque não existe consistente união à esquerda. Este PSD de Passos Coelho quer pôr apenas 1 funcionário na Administração Pública por cada 5; quer privatizar o Banco CGD; Saúde e Educação privatizadas; na 2ª, 4ª e 6ª  Passos Coelho é a favor do TGV e do PEC, à 3ª, 5.ª e Sábado está contra o TGV e o PEC!... Não entendo, este não me convence nada. 

 

Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão diziam o seguinte n' As Farpas em 1871: "E assim se passa, defronte de um público enojado e indiferente, esta grande farsa que se chama a intriga constitucional. Os lustres estão acesos; o país é expectador distraído: nada tem de comum com o que se representa no palco; não se interessa pelos personagens e acha-os todos impuros e nulos; não se interessa pelas cenas e acha-as todas inúteis e imorais; não se interessa pela decoração e julga-a ridícula. Só às vezes, no meio do seu tédio, se lembra que para poder ver teve que pagar no bilheteiro!"
 
O Sr. Silva (como lhe chamava o Alberto João Jardim) quer parar os investimentos públicos porque a macro-economia "elementar" diz que se deve parar e ele é especialista nisso, até dou isso de barato, mas acho que devia dizer qual é a alternativa. O maior desafio do Estado é controlar as contas públicas e ao mesmo tempo apoiar verdadeiramente a economia a desenvolver-se. Discordo de um regime demasiado presidencialista mas Cavaco tem quase obrigação de opinar para onde deve o Estado apontar os investimentos, porém a cooperação estratégica Presidente-Governo já teve melhores dias. No seu discurso dos 36 anos do 25 Abril, falou nas indústrias criativas e no mar, ok, mas isso está também no Programa do Governo e não é novidade nenhuma, um discurso vazio sem conteúdo.
 
O interior do território nacional tem imensas dificuldades mas também oportunidades. Ainda há margem grande para apoiar as políticas de desenvolvimento no interior, mas o entendimento dos políticos é que os territórios não dão votos, são as pessoas e essas estão a abarrotar as cidades litorais e as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Vejamos o caso do Alentejo, apesar da vasta área geográfica não chega a ter uma mão cheia de deputados em 230!
 
Está em curso a revisão da PAC pós 2013, é a altura para perceber que pessoas com barriga vazia revoltam-se e procuram  satisfazer primeiro as necessidades básicas, a alimentação é fundamental numa economia europeia com um exército com mais de 20 milhões de desempregados. Os conflitos sociais em Portugal já estiveram mais longe, a Europa está a ser vítima de um ataque forte da finança e especulação, é necessário mais união, mas não podem ser sempre os mesmos - os mais fracos - a pagar mais uma crise originada por políticos incompetentes e por uma finança gananciosa. Sem reforçar sectores estratégicos nacionais públicos as coisas ainda vão piorar, irrito-me quando vejo os mexias, os pedros soares, os bavas a ganharem 3 milhões de euros anuais, onde está aqui a justiça social? Para estes não se pede sacrificios? Agora vão ser privatizadas empresas nacionais fundamentais, mas isto não vai ter resultados após PEC 2010-2013, a questão de fundo passa pelo apoio verdadeiro às PME's. O Governo não pode ser forte com os fraco e fraco com os forte, tem de haver equidade, isto assim é um passo em frente e três passos atrás.        

publicado por polvorosa às 00:41
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