Azáfama; grande atividade; agitação; rebuliço.

27
Abr 10

Senhor Presidente da CMVA
Senhores Vereadores
Restantes Autarcas
Senhora Representante do Governo Civil
Senhores Representantes de Entidades Convidadas
Estimados Munícipes
Minhas Senhoras e Meus Senhores


Falar do 25 de Abril implica falar de um sentimento. Mais, implica transmitir e partilhar esse sentimento inestimável que foi conquistado nesse dia: a LIBERDADE (liberdade de pensamento, liberdade de expressão, liberdade de acção).


Devo dizer-vos que falar sobre o 25 de Abril é uma experiência que vivo sempre com muita emoção… porque me remete para recordações de um tempo que marcou, e continuará a marcar, gerações.


Gosto, especialmente, de partilhar essas recordações com as novas gerações. E sempre que surge a oportunidade, aproveito-a. Pois o 25 de Abril é importante demais para poder ser esquecido.

 

Para os jovens de hoje (e de amanhã), porque não vivenciaram a designada REVOLUÇÃO DOS CRAVOS, feita sem derramamento de sangue, por jovens oficiais da altura, admito que seja natural a dificuldade em imaginarem o que era viver neste Portugal de há 36 anos:
- Onde era rara a família que não tinha alguém a combater em África (o serviço militar era obrigatório e durava 4 anos);
- Onde a expressão pública de opiniões contra o regime e contra a guerra era severamente reprimida;
- Onde os partidos eram proibidos e as prisões políticas estavam cheias;
- Onde a greve era interdita;
- Onde o poder autárquico democrático não existia.

 

Há 36 anos Portugal era um país anacrónico: último império colonial do mundo Ocidental, com condenações sucessivas nas Nações Unidas.

 

Por isso, nunca é demais fazer lembrar Abril. E sempre que posso faço-o, mas procurando sempre transmitir 3 ideias-força:
- A defesa da LIBERDADE;
- O respeito pelas DIFERENÇAS;
- O sentido de RESPONSABILIDADE.


LIBERDADE é ser livre, mas também RESPEITAR quem nos rodeia (quem é diferente), é também ser RESPEITADO… por se ter sentido de RESPONSABILIDADE.


Hoje, ouço constantemente dizer QUE OS TEMPOS ESTÃO DIFÍCEIS.
Concordo!
Hoje ouço constantemente dizer TEMOS DE FAZER MUITOS SACRIFÍCIOS.
Concordo!
Hoje ouço constantemente dizer QUE NÃO HÁ DINHEIRO.
E não há! … Ou há pouco… pelo menos para a maioria das pessoas.
Concordo com tudo isto.
Mas recuso-me à resignação!

 

Sou REALISTA mas NÃO sou PESSIMISTA!
A situação actual é difícil. Sem dúvida! Mas considero-a conjuntural.
Ou seja, resulta de problemas específicos de uma crise financeira mundial concreta, com impactos, obviamente, na globalidade da economia portuguesa e, consequentemente, nas economias regionais, incluindo naturalmente o Alentejo e o nosso Concelho.
Mas, se conseguimos sair de uma situação de subdesenvolvimento estrutural, como era aquela que se vivia em Portugal antes do 25 de Abril, então tenho a esperança, tenho a certeza que, também pelos efeitos da globalização, sairemos mais rapidamente desta crise conjuntural.
É importante ter presente que, do mesmo modo que os efeitos negativos da globalização se multiplicam rapidamente por todo o mundo, também os seus efeitos positivos são rápidos globalmente.

Hoje esta dimensão de interdependência das economias é mais viva e mais rápida, nos seus efeitos positivos e negativos, seja para trazer as tempestades das crises económicas internacionais, seja para trazer também a bonança que se segue a essas tempestades.
Hoje, ao contrário do que sucedia antigamente, convém ter presente que o que acontece, por exemplo, num banco de investimento americano ou numa decisão do governo chinês afecta a qualidade de vida de quem possa estar em Chaves, em Angra do Heroísmo, em Freixo de Espada à Cinta ou em qualquer outra localidade portuguesa… incluindo, obviamente, as do Concelho de Viana.

 

É por isso que, neste contexto, a almofada da Europa é para Portugal uma segurança importante. Se não estivéssemos na UE e na moeda única, estaríamos novamente “orgulhosamente sós”… como antigamente… antes do 25 de Abril. E aí sim, seria efectivamente a catástrofe.
Mas… quanto à almofada da Europa… ela não deve ser utilizada para dormir, mas sim para reflectir rapidamente sobre aquilo que deve ser feito em cada momento … e fazê-lo!

 

No caso concreto do poder local, uma nova geração de desafios e de prioridades se lhe colocam. Passada a fase dos desafios primários, ou de primeira geração, relacionados com o desenvolvimento das infra-estruturas básicas (abastecimento de água e energia eléctrica, redes de esgotos, tratamento de resíduos, arruamentos…), prioridades como a utilização de energias alternativas nos equipamentos públicos, a banda larga, a organização e modernização administrativa, a reengenharia de procedimentos e de novos processos de trabalho, a formação, são os temas, os desafios de segunda geração ao nível da administração local… mas que não são tão novos assim, pois já de há uns anos a esta parte que muitas autarquias portuguesas lhe têm vindo a dedicar especial atenção.

Nestes aspectos a Autarquia de Viana permaneceu praticamente imóvel, acumulando um atraso considerável em relação a muitas outras, mesmo da região do Alentejo.


Por isso, este novo elenco de autarcas tem um mandato pela frente que envolve a resposta a dois grandes conjuntos de desafios:
- Preparar as designadas estruturas de segunda geração;
- Completar e Renovar infra-estruturas básicas de primeira geração.

 

Tudo isto num contexto de crise económica mundial e numa instituição, como é a CMVA, que no estado em que nos foi transmitida revelava graves debilidades em termos de Estrutura Organizacional.

 

Estes 6 meses de mandato foram dedicados, quase exclusivamente, aos aspectos de Organização Interna, pois sabemos que estes aspectos são a base de sustentação para uma Gestão eficiente. Sabemos que nenhuma empresa ou instituição tem viabilidade sem que a sua vertente Organizativa esteja estabilizada. Por isso lhe damos bastante atenção.


Gostaríamos de andar mais rápido (é verdade), mas com o estado de Organização que encontrámos é impossível. Há que preparar bem o primeiro pilar: a Estrutura Organizacional da Câmara.

Como não podia deixar de ser, ao mesmo tempo, este executivo está a preparar o futuro do Município. Nomeadamente a corrigir alguns projectos deixados do anterior executivo e a trabalhar na elaboração de novos projectos. Quanto a este último aspecto importa realçar a recente candidatura conjunta, com outros Municípios do Distrito de Évora, à Rede de Equipamentos Culturais e a estreita relação existente com a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, entidade com funções reforçadas no âmbito da promoção da execução dos Investimentos de Iniciativa Municipal no âmbito do QREN 2007-2013.

Em suma… este executivo está a fazer exactamente aquilo a que se comprometeu: trabalho, trabalho e mais trabalho… mas trabalho bem feito, com método e coerência. Trabalho eficiente!


Que a seu tempo dará os seus frutos no terreno.


Estamos a subir degrau a degrau, olhando sempre para o degrau da frente, mas não perdendo de vista a perspectiva global da escada.
Lembramos que o mandato é de 4 anos, e é no fim que se fazem as avaliações.


E essas avaliações caberão novamente a todos vós.


É assim que funciona a democracia… por muito que custe a alguns.


E porque este novo executivo e o seu projecto já foram acusados de OUSADOS, despeço-me com uma citação de FERNANDO PESSOA:
“Tudo é ousado para quem a nada se atreve”


Termino a reafirmar aquilo que disse na minha primeira intervenção pública em Alcáçovas, no dia 5 de Julho de 2009:
“Esta equipa tem uma LIDERANÇA empreendedora, com VISÃO estratégica e CAPACIDADE de concretização”.

 

CONTINUEM A ACREDITAR!!!


… POR ISSO OUSÁMOS.


Muito obrigado a todos.


VIVA O 25 DE ABRIL

 

António Sousa

publicado por polvorosa às 13:59
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