Azáfama; grande atividade; agitação; rebuliço.

18
Jul 08

Esta questão não é nova, é até um tema recorrente, mas o tema da Pobreza deve ser uma questão cívica e se há tema fundamental sobre o desenvolvimento do país, este deve ser um deles. De acordo com os dados do I.N.E. a Taxa de Risco de Pobreza em 2006 estava em 18%, em 2005 estava em 19% e em 2004 em 20%. Estes dados referem-se a anos transactos, porém, temo que actualmente com a crise internacional ao nível da energia, da alimentação e do imobiliário, com as consequências no desemprego, na taxa de inflação, na perca de poder de compra, na falência de empresas, estejamos pior do que à dois anos atrás.

A questão da desigualdade de rendimentos é actualmente um dos principais problemas existentes na sociedade portuguesa. Em Portugal, os 20% com maiores rendimentos têm 6,8 vezes mais rendimentos do que os 20% com menos residentes. Esta situação real é muito preocupante se pensarmos na questão dos indicadores europeus, por exemplo, a média da U.E. para este indicador é de 3,5%. Por conseguinte, estamos quase com o dobro na desigualdade de rendimentos face à U.E., segundo o Eurostat Portugal é hoje um país mais desigual do que os E.U.A..
A taxa de risco é maior em pessoas com menos de 18 anos; em famílias com dois elementos e três filhos; em pessoas com mais de 65 anos e nas famílias monoparentais. Mas há aqui também um novo dado, os agregados familiares com trabalhadores assalariados estão também cada vez mais pobres devido ao modelo de baixos salários.  
Há aqui duas questões de fundo: uma, é a questão económica e a outra, é a questão das transferências sociais. Relativamente à primeira, ela é estruturante, como bem sabemos "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão", só poderá haver um combate sério à pobreza se existir alguma equidade ao nível da repartição dos rendimentos, para isso importa elevar os salários, mas por outro lado, há um problema que diz respeito à produtividade portuguesa não ser muito elevada, andamos à muito tempo nesta “pescadinha de rabo na boca”.
É curioso como o discurso de um banqueiro muda de um ano para o outro, ainda o ano passado, um deles afirmava ser necessário liberalizar os salários em Portugal; pasme-se, agora ouvi essa mesma personalidade defender a criação de um novo escalão de I.R.S. para os rendimentos mais altos, uma nova taxa no I.R.C. para lucros acima de 100 milhões de euros, o fim da isenção das mais-valias e o aumento da tributação sobre depósitos bancários e obrigações. Acho estas medidas óptimas, mas suspeito que também a nossa banca está com a corda ao pescoço. Ora, como sabemos não há almoços grátis e se as famílias e empresas não podem pagar as suas dívidas contraídas, a banca portuguesa também não pode pagar o dinheiro pedido à banca estrangeira, existe um efeito bola de neve com resultados imprevisíveis para todos. Ainda assim, os lucros da banca continuam a ser astronómicos face à maior parte dos sectores económicos nacionais. 
 
publicado por polvorosa às 09:28

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